quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Professores são agredidos em sala de aula

Por Jean Wyllys: Professor, escritor e big brother.

Cresce o número de professores da rede pública que já foram agredidos por alunos. Conforme pesquisa do SPAMC (Sindicato dos Professores que Apanham Muito Constantemente), 87% dos profissionais de educação já presenciaram ou foram vítimas de agressão, os outros 13% tiveram a lingua cortada e não opinaram. A professora Vilma Ortiz leciona na rede pública há 12 anos e diz que a violência na sala de aula cresce dia após dia. "Antes eles se contentavam em escrever frases difamatórias sobre a sexualidade da minha filha nas paredes da escola, hoje em dia, quando vou entregar as provas é comum colarem chicletes no meu cabelo e passarem a mão na minha bunda, por isso ontem levei para a escola meu cão de guarda Nelson, mas ele é castrado. As crianças riram tanto que Nelson acabou em depressão", revela Ortiz enquanto toma o medicamento do animal.

Carlos Kraftwerk dá aulas de matemática no vilarejo de Iconha e afirma que as agressões não ocorrem apenas nas grandes cidades: "perguntei para um aluno da quarta série quanto era três vezes dois e ele me deu seis enxadadas no pescoço". Questionada sobre por que a escola permitiu que o aluno entrasse com uma ferramenta cortante na sala de aula, a diretora Olga Aparecida declarou "todas as crianças de Iconha têm enxada, é normal um aluno vez ou outra levar a ferramenta para a escola, a igreja, bares e prostíbulos".


Alarmado, o SPAMC encaminhou requerimento ao MEC pedindo a reformulação do Programa de Formação Continuada (PROFOC). "Sou formada em letras, mas como também dou aulas de química e biologia, a diretoria da escola sugeriu que eu cursasse Ciências Biológicas. Mas acho que minhas prioridades são outras, gostaria de ter aulas de Boxe e Jiu-Jitsu", afirma a professora e presidente do Sindicato Tina Piovani. Para alegria dos educadores, o MEC incluiu artes marciais no currículo dos cursos de atualização. Os interessados em participar devem encaminhar ao Ministério da Educação currículo e laudo do IML comprovando envolvimento passivo em agressões nos últimos quatro anos.