domingo, 4 de outubro de 2009

VOCÊ VAI MORRER




Por Boris Orloff, crítico de arte infanto-juvenil velho, crucificado, morto e ressuscitado ao 3˚ dia.

O novo vídeo-clipe produzido pela Quase Corporation, Você Vai Morrer, apresenta de forma sucinta um soneto-visual sobre a perenidade da vida e os riscos de morrer sem perder a virgindade. O SurfCore descolado da banda-jovem de maior sucesso, irreverência e pederastia na atualidade – os prodígios do Chico Cuíca Sound System – embala vigorosamente as artimanhas de dois pequenos e inconsequentes roqueiros por um cemitério antigo usado como playground teen.

Os astros mirins, Gabriel e Max, surpreendem o público pelo talento e naturalidade com que conduzem a narrativa. Não se via tamanha envergadura profissional assim desde que Macaulay Culkin fez o recalcado O Anjo Malvado. As crianças do vídeo percorrem os corredores do cemitério brincando onde não existe brincadeira. A morte é séria, solene, solitária e silenciosa, termos opostos ao que caracteriza uma criança, um ser que não deve conhecer esse lugar até o dia em que deixar de ser criança – essa é a visão otimista, rasa e besta sobre a morte.

Se há algum problema com o vídeo a culpa é dos velhos retardados da direção. Não tenho dúvidas de que o resultado seria melhor se as próprias crianças tivessem dirigido e montado o clipe. As imagens e a edição buscam referencial no estilo mongolóide dos clipes brasileiros no início da MTV. Parece algo que fica entre o tosco e o convencional que não determina muito bem a intenção, o que leva a pensar que certas tosqueiras são por incompetência ou burrice.

Já que estou bêbado e meio cagado, confesso que sempre tive algum preconceito a respeito de crianças em filmes, a não ser no caso daqueles menininhos travessos de Cidade de Deus e da cocotinha Linda Blair em O Exorcista, mas depois de assistir ao vídeo-clipe da Chico Cuíca Sound System até andei pensando em ter filhos e quem sabe algum dia usá-los em filmes caseiros – dizem que tem um mercado em expansão na internet.