sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

BERNARDO TOBLERONE E A LEI VELHO CAGADO


Por Boris Orloff, jornalista abandonado, aviãozinho aposentado e doador de órgãos.

Entristece-me muito saber que performers da envergadura de Bernardo Toblerone ainda precisem se submeter às leis de mercado para expressar suas artes. Conhecido e aclamado em diversos países da Europa (dentre eles Vaticano e Miami), Bernardo nunca conseguiu ser reconhecido no Brasil, principalmente pelos desafetos estabelecidos entre o meio artístico e pelas recorrentes plásticas que Toblerone faz a cada nova apresentação.

Seus audaciosos happenings afetam intimamente o receptor, já que muitas vezes Toblerone encoxa a platéia em sua incessante busca de envolver o público na essência da expressão. A performance deve ser sentida em sua plenitude, em seu âmago, dentro de territórios que poucas pessoas se submetem a experimentar: são raras as ocasiões em que o cidadão comum (essa vítima maior da falta de arte cotidiana) resguarda tempo para apreciar uma obra, mesmo que olhe para a privada após defecar e consiga extrair disso algum tipo de fruição poética.

A Lei Velho Cagado existe para que pessoas verdadeiramente compromissadas com o espetáculo da cultura possam expressar-se livremente, ainda que obriguem o público a apreciar suas apresentações, privando-o de sua liberdade de escolher o que realmente gostaria de sentir e cobrando alguns trocados por isso.