terça-feira, 19 de janeiro de 2010

JONAS EDSON E A LEI VELHO CAGADO



Por Boris Orloff, jornalista cultural, marchand e artista marginal foragido.

A Lei Velho Cagado de Incentivo à Cultura é hoje uma das grandes oportunidades para que artistas menos consagrados consigam usufruir de sua labuta – e isso não quer dizer que arte seja uma profissão. No caso do pintor e designer Jonas Edson essa oportunidade se revela na proeminência com que seus trabalhos deságuam no mercado das artes plásticas, já que podemos encontrar suas criações em diversos espaços, como galerias, centros culturais, escritórios, restaurantes, oficinas mecânicas e bordeis.

Os originais de Jonas Edson despertam sensações e sentimentos induzidos pela plasticidade das formas geométricas que sibilam em suas molduras, mas tudo isso com uma pitada de intervencionismo, já que suas telas não são expostas em paredes de concreto estáticas e retilíneas. Suas telas são as próprias paredes estáticas e retilíneas, algo que demonstra uma profunda responsabilidade vanguardista com a arte contemporânea e com as paredes.

Eu mesmo tenho um original de Jonas Edson em casa, a “Pátina do Banheirinho”, uma criação pictórica inebriante, mesmo para os bêbados. Sua composição identifica territórios: o local da cultura, o local da expressão, o local do espetáculo, o local das fezes. Esse é mais um argumento que indica o quanto a Lei Velho Cagado pode mudar o panorama cultural do país, contemplando artistas compromissados com uma única e verdadeira causa: financiar um imóvel.