segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

LEI VELHO CAGADO CONTEMPLA HIPPIES


Por Boris Orloff, crítico de músicas visuais e ex-ficante do Serguei naquela época mágica em que ele só transava com homens, mulheres e a Janis Joplin.

Desde a última quarta-feira, 27 de Janeiro, o vídeo do novo contemplado pela Lei Velho Cagado de Incentivo à Cultura está sendo exibido. O grupo de música folclórica-lisérgica Vitrola de 3, teve o vídeo-clipe “Palhaço de Aço” financiado pela Lei e recebeu mais de R$75.000 para mostrar todo seu lirismo e astúcia audiovisualmente, mesmo que eles não saibam o que significa isso.

A narrativa passeia pela vida de jovens caipiras atormentados por um dilema: é possível ser hippie na roça? Os personagens são figuras populares como o lavrador, o palhaço, o mendigo, os gordos e a mula, desempenhada graciosamente pelo membro mais inocente e menos inteligente do grupo, graças à contrapartida social que prevê a contratação de 15% de retardados nas obras contempladas pela Lei. Um exemplo de inclusão cultural, democracia, bom humor e desenvolvimento sustentável.

Um estrondoso retrocesso posiciona uma nova trama na metade do vídeo-clipe, quase uma metáfora que conota o retorno ao básico, ao essencial, atitude que exibe a natureza primordial do festival Woodstock: a falta de compromisso com o mundo real. É necessário ter muita ousadia para mostrar o poder de transformação que uma ciranda pode ter na vida de jovens desocupados. Sorte deles que nenhuma autoridade judicial teve tempo de analisar essa crítica ferrenha aos costumes da sociedade, sorte também por não haver nenhuma junta de alistamento por perto, porque todo mundo sabe que lugar de hippie é no serviço militar