Por Almeida, pós-doutorando em funk periférico

O pequeno MC parece trazer novos ares ao estilo, já cansado de temas que envolvem invariavelmente troca de tiros em favelas e sexo anal em periferias. A rebeldia de Yuri, diante do divórcio de seus pais, se manifesta sob a forma de um amor pela avó, que ele declara abertamente em sua música, enquanto ainda tem idade para amar parentes sem que isso pegue extremamente mal.
E este é o tapa de luva escondido na falsa inocência de Yuri. Enquanto o funk carioca não encontra mais espaço para intensificar suas orgias líricas, esta criança, sem dizer um palavrão, consegue ser infinitamente mais polêmica, cafajeste, sem-vergonha e sem Jesus. O tabu maior, que as balas sem destino e pênis sem camisinha do funk carioca tanto tentam atingir, mas o qual nunca sequer arranharam, é agarrado com as duas mãos e destruído por Yuri, como se fosse um pokémon. Sim, este gênio da nossa música fez um funk sobre uma relação incestuosa com a própria avó.
Os gritos de “A Porra da Buceta é Minha”, da Gaiola das Popozudas, ou de “Orgia de Traveco”, da UDR, não chegam nem perto da ousadia de um doce “Vó, eu amo você”, de Yuri. Então toma esse incesto na sua face. Profundo. Incisivo. Devastador. As águas foram dividias e a cicatrizes abertas. Yuri corta e mutila a sociedade com sua poesia e não há como fingir que nada aconteceu.

1 comentários:
Yuri, vulgo Cedric Zavala,já alcançou sucesso em outros planetas com grunhidos na nova salsa-punk- progressiva. The Mars Voltam.
Postar um comentário