segunda-feira, 15 de outubro de 2012

LABANCA ETERNO



Foi Gabriel Labanca quem juntou alguns estudantes para fazer uma revista em quadrinhos que se chamaria Quase. Ele nos idealizou sob forma impressa, nos uniu na amizade, criou uma logo para nos representar e passou a fazer parte das nossas vidas desde então.

O grupo Quase pode ser chamado de revista pelos que acompanham há mais tempo, ou de TV, mais recentemente. Não importa. O fato é que nos tornamos amigos através do Gabriel, e depois, sem trocadilho, quase irmãos (no bom e no difícil sentido). E nunca foi a profissão ou o hobby que nos mantiveram unidos por 10 anos. Já fracassamos o suficiente para desistir há muito tempo, já tivemos êxitos a contento para partir pra outra. Mas a necessidade de estar juntos que nos une é anterior à nossa vontade. E o material produzido da soma de nossas personalidades – nossas semelhanças e diferenças – é de uma naturalidade meio que sem querer, que só tivemos o trabalho de organizar e materializar, graças à iniciativa dele, sob forma de revistas e vídeos, com a honra de espalhar um pouco de Gabriel Labanca na vida de várias pessoas.

Mas ele não era só nosso. Transitava naturalmente por vários grupos de amigos, todos muito diferentes entre si, mas com o carinho e portas abertas para ele como ponto comum. Quando ele se foi, foi-se mais que uma pessoa só. Todos esses grupos não têm mais um elo de comunicação, todas as revistas e vídeos que surgiriam não têm mais autor.

Durante o enterro, em meio à tanta, tanta gente, foi possível ter uma dimensão do seu carisma. E também da sua presença marcante em nossos pensamentos, já que era possível identificar ali várias pessoas que não conhecíamos, mas tínhamos uma espécie de intimidade através das histórias contadas pelo Gabriel, além de ser possível e palpável imaginar o que ele diria em cada conversa, sobre cada comportamento. Tenho certeza que ele olharia nossas roupas e diria “É ISSO que vocês vão usar no meu enterro?!”

Dessa forma, para todos esses grupos é possível dizer sem medo de ser piegas que ele está um pouquinho em cada um de nós. Mas a Quase tem a honra incomensurável de tê-lo, literalmente, em revistas, vídeos e roteiros, alguns conhecidos, outros nunca lançados.

Agradecemos aos seus pais, Dona Jaçanã e Seu Neuci, por ter trazido ao mundo e criado uma pessoa tão especial e tê-la compartilhado um pouquinho conosco.

Nos unindo e nos influenciando, Gabriel nos ensinou sobre a vida e agora sobre a morte, nos abriu os olhos para as grandes questões através de pequenos atos. Nós da Quase somos um reflexo parcial de sua personalidade, somos um eco de sua vida artística, mas, acima de tudo, somos fãs incondicionais e amigos eternos.